Seul diz que Coreia do Norte lançará foguete no sábado

EUA dizem que lançamento seria provocação; satélite seria na verdade o teste de um míssil interncontinental
Efe e Reuters

Veja também:
Lançamento norte-coreano seria provocação, diz Obama
Conheça o arsenal de mísseis norte-coreano
Cenário: Até onde vai a tensão com a Coreia do Norte?
O governo de Seul disse, segundo a agência sul-coreana Yonhap, que a Coreia do Norte já está com a injeção de combustível no projétil quase completa, tornando muito provável o lançamento no sábado. Alguns analistas afirmam que o lançamento será durante o fim de semana, quando a população norte-coreana tem mais tempo para assistir televisão, o que maximizaria o efeito. O fim de semana tem previsão de nuvens e vento na base de Musudanri, em Hamgyeong, no nordeste da Coreia do Norte, mas Seul acredita que isso não impedirá o plano norte-coreano. Segundo a agência Yonhap, o foguete parece ser de 32 metros de altura e 2,2 metros de diâmetro, com peso superior a 70 toneladas e equipado com três fases.
O porta-voz da Casa Branca Robert Gibbs disse nesta sexta que lançamento de um foguete pela Coreia do Norte seria um "ato provocativo em violação" a uma resolução do Conselho de Segurança da ONU e confirmou que que estavam sendo feitos "preparativos" para um eventual lançamento, mas negou-se a detalhar os comentários feitos a jornalistas durante uma viagem à Europa do presidente dos EUA, Barack Obama. Autoridades norte-americanas têm dito que planejam levar o assunto ao Conselho de Segurança da ONU se o lançamento ocorrer.

O governo de Pyongyang avisou no dia 12 de março à Organização Internacional de Aviação Civil (Icao) e à Organização Marítima Internacional (OMI) seu plano de lançar um satélite de comunicações entre sábado, 4 de abril, às 11h locais (23h desta sexta-feira pelo horário de Brasília), e quarta-feira, dia 8, às 16h locais (4h de Brasília). Parte do desenvolvimento de sua corrida espacial, o foguete sofre a oposição de Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão, que suspeitam de que se trate, na verdade, de um novo teste do míssil balístico de longo alcance Taepodong-2, capaz de atingir os Estados americanos do Alasca e do Havaí, de fabricação norte-coreana e cujas duas provas anteriores fracassaram.
A desconfiança não é sem motivo, já que, em 1998, a Coreia do Norte anunciou igualmente como um satélite de comunicações o lançamento do míssil Taepodong-1, e a cooperação tecnológica com o Irã aumenta as chances de o lançamento, desta vez, ser bem sucedido. A imprensa sul-coreana especula que o lançamento poderia ocorrer neste sábado mesmo, desconfiança compartilhada pelo primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, que, de Londres, ordenou o posicionamento de escudos antimísseis nas províncias japonesas pelas quais o foguete deve passar.
Tóquio avisou que o interceptará se ele cair sobre seu território e enviou ao Mar do Japão dois destróieres com o sistema de combate Aegis, que integra os sensores do navio com suas armas, para defesa contra mísseis anti-superfície. Uma embarcação sul-coreana e outra americana com esse mesmo sistema de detecção já estão posicionadas no mesmo local com este objetivo.
Analistas sul-coreanos consideram provável este que seja um teste bem-sucedido, após as duas tentativas fracassadas de 1998 e 2006, graças à cooperação tecnológica com o Irã, que, em fevereiro, lançou com sucesso um satélite. Após o fracassado lançamento do Taepodong-1, em 1998, a Coreia do Norte ainda lançou, em 2006, o míssil de longo alcance Taepodong-2, que explodiu no ar segundos após seu lançamento, segundo especialistas americanos.
O atual lançamento elevou a tensão na península coreana e a comunidade internacional intensificou suas ofensivas diplomáticas para demover Pyongyang, enquanto coordena uma possível resposta. Coreia do Sul, EUA e Japão advertiram que o lançamento violaria a resolução 1718 do Conselho de Segurança da ONU de 2006, que exige que Pyongyang abandone seus testes de armas nucleares e mísseis balísticos, assim como o desenvolvimento desse tipo de armamento.
Em Londres, o presidente americano, Barack Obama, e seu colega sul-coreano, Lee Myung-Bak, combinaram de apresentar uma resposta "firme e unida" ao lançamento norte-coreano. O Japão, por sua vez, deve convocar uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, caso a Coreia do Norte efetue o lançamento. A iniciativa foi respaldada por EUA e França, segundo o embaixador japonês na ONU, Yukio Takasu.






